Lavabo Rococó

Caminhar pela cidade é um dos meus passeios favoritos. Além de deixar o olhar percorrer a arquitetura das construções, fico sempre observando as árvores, a vegetação local e quase nunca resisto em tirar o celular da bolsa e fotografar, fotografar…

E foi no finalzinho de julho desse ano que me deparei um tesouro, no coração da cidade. Passando pela Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, na rua Sergipe, no bairro Funcionários, me deparei com uma escultura que nunca havia me chamado a atenção. Se trata de um lavabo em pedra-sabão. Fui lendo a legenda, que está ao lado da obra de arte, e me encantei mais ainda!

Este lavabo é datado de 1793, com características do Rococó, estilo predominante na arte colonial mineira em fins do século XVIII. Ele pertenceu à antiga Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, do Arraial do Curral del rei, e ficava instalado no fundo da sacristia lateral esquerda da igreja. Com a demolição da Matriz, em 1932, foi adaptado como chafariz em área externa da nova Catedral.

Dez anos depois, em 1942, foi doado ao acervo do Museu Histórico Abílio Barreto, por iniciativa da Cúria Arquiepiscopal de Belo Horizonte. Naquela ocasião, decidiu-se por mantê-lo exposto no mesmo local onde se encontrava. Somente em 1986, foi transferido para a sede do Museu, instalando-se uma réplica de cimento em seu lugar.

Em 1999, o Projeto de Extensão do Museu Histórico Abílio Barreto na Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem retornou o Lavabo para a igreja. Após ser restaurado, foi adaptado neste espaço em dezembro de 2000.

Além de toda a beleza da escultura em pedra-sabão, a história de sua recuperação é um verdadeiro tributo à matriz colonial desaparecida e reafirma o sentido simbólico da Catedral como espaço consagrado à memória coletiva de Belo Horizonte, em seu universo religioso, histórico e cultural.

Enfim, mais adorável que a surpresa de encontrar este lavabo, foi me dar conta de que ele estava inserido na paisagem, onde os ipês se encaixavam na arquitetura neogótica da Catedral, adornando e dando vida à cidade. Eis mais um Belo Horizonte.

A realização deste projeto é da Arquidiocese de Belo Horizonte, IEPHA, Museu Histórico Abílio Barreto e da Prefeitura de Belo Horizonte.

 

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